KI – Energia Universal

Essencial na formação das culturas asiáticas, o Ki (Ch’i em chinês) só recentemente se tornou um conceito conhecido no Ocidente. No entanto, não é fácil definir o Ki em nenhuma língua. Ki é o agente ativo da criação: “Milhares de coisas possuem o yin e abraçam o yang, e através do ki alcançam a harmonia.” Assim, o ki é sinônimo da própria força vital: “Se há ki, há vida. Se não há ki, há morte.” Como um princípio animador, o ki faz o mundo funcionar: ele sustenta o vento e a chuva, ele pode ser sentido como calor ou frio, ele flui no sangue e ele até mesmo forma as montanhas e os rios. Nesse sentido, ki é energia universal.

Morihei falava sobre os princípios cósmicos do ki nesses termos gerais, mas também usava essa mesma palavra para descrever condições mais específicas. Ki significava vitalidade e saúde, o que a língua japonesa expressa através da palavra genki, “ki original”. Morihei ensinava a seus alunos que a prática do Aikido favorece esse ki original e mantém a pessoa saudável e vigorosa. O praticante também deve aprender a concentrar o ki: “A força reside onde o ki está concentrado e estável; a confusão e a malevolência reinam onde o ki estagna.” Como se mencionou no capítulo 1, o ki também indica a “disposição” da pessoa com relação às coisas. Uma atitude ki positiva é fundamental para a saúde física e mental. Outro significado de ki é “sensibilidade”, com a percepção de forças que não podem ser vistas com os olhos – coisas como a corrente elétrica e as ondas sonoras no plano físico, e a aura no plano espiritual.

O ki é um fator fundamental em todas as artes marciais na Ásia. Na China, o cultivo do ch’i é a base de todas as escolas e estilos; no budô japonês, aiki (“fusão de ki“) e kiai “projeção de ki“) eram tudo, como podemos ver nesse conto do século XIX”

Um jovem espadachim chamado Shirai foi desafiar o velho mestre Terada. Outros espadachins juravam que a ponta da espada de madeira de Terada faiscava, e Shirai, ao defrontar-se com Terada, descobriu que isso não era boato – ele foi sacudido com um choque do poder do ki e ficou paralisado por um instante. Shirai tornou-se discípulo fiel de Terada e por fim chegou a compreender os mistérios do ki. Quando os oponentes avançavam, Shirai assumia uma postura carregada de ki e os imobilizava com uma onda de ki emitida pela ponta da sua bokken. Ele era imbatível.

Mais modernamente, Morihei demonstrava poderes miraculosos semelhantes mesmo quando já era velho e aparentemente frágil. No dojo, Morihei atraía, concentrava e projetava o seu ki com tanta energia que podia lançar para longe seu uke.

Conquanto seja possível praticar certos exercícios para criar o ki e para testá-lo, Morihei recomendava deixar a força do ki desenvolver-se natural e plenamente dentro do contexto do treinamento regular em Aikido.

Texto extraído do livro “Os Segredos do Aikido” de John Stevens

tradução Euclides Luiz Calloni

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