Com quem competir?

Estamos em tempos de Olimpíadas. Sentamos na frente dos nossos aparelhos de televisão e torcemos para que nossos atletas nos encham de orgulho, para que assim possamos tocar a nossa vida mais felizes e satisfeitos com o nosso país. Não é atoa que nosso governo injeta uma verba cada vez maior para que nossos atletas possam nos representar com mais dignidade e assim darmos um voto cada vez maior de credibilidade aos órgãos públicos. Discutir o mérito de se gastar tanto dinheiro com um pequeno grupo de pessoas e preterir a educação no país não será foco deste blog. Afinal tratamos aqui de Aikido.

Voltando às Olimpíadas, é inevitável constatar o quão tênue é o preparo de alguns atletas quando chega no exato momento de competir. Como é visível a vulnerabilidade psicológica quando se chega no momento de uma decisão. Qualquer empecilho, por menor que seja, é motivo de descontrole emocional. Vejo isso como uma falha no treinamento do atleta. Muitos treinadores visam apenas o desenvolvimento técnico do seu pupilo, mas se esquecem de todo o conjunto, e acreditem o fator psicológico é primordial em uma conquista, seja ela qual for, esportiva, empresarial ou pessoal.

Já presenciei em alguns dojos de Aikido, professores muito preocupados com o desenvolvimento técnico dos alunos, mas isso não é tudo. Faz-se longos aquecimentos, já vi alguns terem mais tempo que a própria aula em si, para-se a aula para mostrar detalhadamente um movimento que o aluno esteja fazendo errado. Esquecem-se que a evolução em uma arte marcial é fruto de uma experiência em cima do tatame. A evolução dentro de uma arte marcial deve ser completa, tanto técnica como filosófica. De nada serve uma técnica exemplar sem uma alma para vivencia-la. Da mesma forma, de nada adianta termos uma base filosófica baseada em livros, se não sabermos como aplica-las em uma técnica. Arte marcial é um todo, por isso colocamos a palavra “arte” antes da palavra “marcial”.

Devemos permitir que nossos alunos possam aprender por si mesmos quais são as suas expectativas de treino, qual a verdade no seu treino. Devemos sim, orientá-los mostrando o caminho da nossa arte marcial, apresentar a direção, apenas isso. O próprio treino em si, já irá forjar o aluno. Isso dará aos alunos a certeza de terem sua verdade testada constantemente nos treinos. Logo, quando tiverem a necessidade de competir com alguém sobre algum ponto discordante em sua vida, já estarão naturalmente preparados para isso.

É importante lembrar, que no Aikido, nossa competição é interna. Buscamos melhorar nossas dificuldades, e não sermos melhores que nossos parceiros de treino. Quando vencemos nossos medos internos, estamos preparados para vencer nossos obstáculos externos.

(@Varela_San)

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