Breve biografia – O’Sensei

Morihei Ueshiba nasceu no dia 14 de Dezembro de 1883 em Tanabe, Província de Wakayama. Ele foi o quarto e mais velho filho de Yoroku Ueshiba, um próspero fazendeiro, que possuía dois hectares de terra nativa. Seu pai era um membro muito respeitado na comunidade local, servindo como conselheiro do vilarejo por vinte anos, enquanto sua mãe, Yuki Itokawa, vinha de uma família de senhores de terra de descendência nobre. Por volta dos sete anos, Morihei foi enviado à Jizodera, um templo Budista da seita Shingon próximo de sua cidade, para estudar os clássicos de Confúcio e as escritas Budistas.

Cativado pelos contos miraculosos contados sobre o santo Budista Kôbo Daishi, ele começou a sonhar repetidamente com o que ouvia, o que causou certa apreensão a seu pai. Yoroku, no entanto, o encorajou mais a atividades físicas, lhe ensinando Sumô e a nadar.

Morihei formou-se pela Escola Elementar de Tanabe, e foi admitido na recém estabelecida Escola Colegial do Distrito de Tanabe, tendo na época 13 anos de idade. Entretanto, deixou o colegial antes mesmo de se formar, indo para o Instituto Yoshida Abacus. Obtendo seu diploma, conseguiu um emprego no Escritório de Impostos de Tanabe, onde um de seus trabalhos incluía a avaliação de impostos prediais e territoriais.

Morihei se demitiu de seu emprego no Escritório de Impostos em 1902, após se juntar a um movimento popular contra a nova legislação pesqueira, indo a Tóquio com o objetivo de recomeçar novamente como um homem de negócios. Por algum tempo, trabalhou como um funcionário do distrito comercial de Nihombashi, morando no local de seu emprego, antes de iniciar seu negócio próprio, uma compania de suprimentos para escritório e escolas, a Ueshiba Trading. O mais importante é que durante essa primeira estadia em Tóquio, é que Morihei começou seus estudo de artes marciais, aprendendo os tradicionais ju-jutsu e kenjutsu. Mais tarde, no mesmo ano, ao se contagiar com beribéri e forcado a sair de Tóquio. Logo após seu retorno a Tanabe, casou-se com Hatsu Itokawa (nascida em 1881), a quem conhecia desde sua infância.

Em 1903, Morihei alistou-se no 37º Regimento da Quarta Divisão de Osaka, onde foi apelidado de “o Rei dos soldados”, por sua habilidade com a baioneta, seu árduo trabalho e sua grande honestidade. No ano seguinte ao início da guerra Russo-Japonesa, Morihei foi enviado à frente de batalha como Cabo e ao retornar, foi promovido ao posto de sargento, pelo reconhecimento de sua bravura e valentia em campo de batalha.
Durante os períodos livres da vida militar, Morihei continuou a persistir em seus interesses nas artes marciais, ingressando no dojô de Masakatsu Nakai em Sakai, onde aprendeu Yagyú-ryu ju-jutsu na escola Gotô.
Em 1907 Morihei foi dispensado do exército e voltou a Tanabe, trabalhando na fazenda da família e participando na vida política da vila, tornando-se o líder da Associação dos Jovens local. Durante esse período, seu pai propôs ao judóka Kiyoichi Takagi, então em visita à Tanabe, a ser professor de Morihei, transformando o depósito da fazenda em dojô. Foi então que Morihei aprendeu o estilo Kodokan de judô. Continuou também a freqüentar o dojô de Nakai, recebendo o certificado da escola Gotô. Morihei continuou em Tanabe pelos próximos três anos, envolvendo-se em diversas atividades locais. Em 1910 (o ano em que sua filha mais velha, Matsuko, nasceu), Morihei interessou-se por um plano governamental para povoar a ilha de Hokkaido, situada ao norte do Japão. Decidiu então formar um grupo popular, requisitando voluntários da Associação dos Jovens local. Tornou-se líder do grupo Kinshú, consistindo de aproximadamente cinqüenta e quatro famílias (mais de oitenta pessoas) e, em Marco de 1912 partiram de Tanabe em direção a Hokkaido. Chegaram em Maio, estabelecendo-se em Shirataki, próximo ao vilarejo de Yobetsu, local escolhido por Morihei em uma visita anterior à ilha.

Nessa área, onde ainda hoje o vilarejo de Shirataki perdura, era então um terreno selvagem o que forcou aos colonizadores ter que lutar muito duro contra as condições dificílimas de clima e solo até conseguir deixá-los em condições para cultivo.

Apesar de tudo, o grupo Kinshu obteve sucesso implementando diversas atividades, como o cultivo de menta, criação de cavalos, produção de leite e também abertura de uma indústria madeireira. Morihei fez mais do que o possível para assegurar o sucesso de suas empreitadas**, e iniciou vários outros projetos, incluindo a construção de uma rua comercial em Shirataki, melhoramentos nas moradias e a fundação de uma escola primária.

Foi durante esse tempo em Hokkaido que Morihei, quando se hospedava em uma pensão em Engaru, conheceu Sôkaku Takeda, o então famoso mestre de Daitô-ryu. Treinou intensamente com Takeda, obtendo o Certificado de Formatura em Daitô-ryu ju-jutsu.

Devido à expansão da indústria madeireira, Shirataki estava se tornando rapidamente uma cidade econômica e comercialmente próspera. Mas em 23 de Maio de 1917, Shirataki foi completamente destruída por um grande incêndio. Na primavera seguinte, Morihei, membro do conselho do vilarejo, dedicou-se totalmente à reconstrução do local e em Julho do mesmo ano, o filho mais velho de Morihei, Takemori, nasceu.

Por volta da metade do mês de Novembro de 1919, Morihei ficou muito abalado ao receber notícias de que seu pai estava gravemente doente. Saiu de Hokkaido, retornando a Tanabe, encerrando após oito anos seu período em Shiratake.

Em sua viagem de volta, soube que o líder da nova e crescente religião Omoto-kyo, Onisaburo Deguchi, famoso por suas técnicas de meditação chinkon kishin (acalmar o espírito e retornar ao divino), residia nas proximidades de Ayabe. Morihei decidiu visitá-lo, continuando em Ayabe até 28 de Dezembro. Fez um pedido a Onisaburo para que orasse por seu pai, mas Onisaburo respondeu, “Seu pai está bem como está”, palavras QUE marcaram profundamente Morihei.

Yoroku Ueshiba veio a falecer em 2 de Janeiro de 1920, com a idade de 76 anos. Sua morte foi de grande impacto em Morihei e, após uma fase de instabilidade emocional, decidiu mudar-se para Ayabe, em busca de uma vida mais espiritual, sob supervisão de Onisaburo Deguchi. Conseguiu uma casa, atrás da escola primária, entre os locais sagrados da Omoto-kyo, e nele viveu durante seus próximos oito anos, até mudar-se para Tokyo, em 1928.

Durante todo esse tempo, gozou de confiança absoluta de Onisaburo, tomando parte em várias práticas espirituais da seita. Também com o apoio de Onisaburo, Morihei converteu parte de sua casa em um dojô, com dezoito tatamis, e abriu a Academia Ueshiba, onde ensinou cursos introdutórios de artes marciais, na maior parte para seguidores da seita Omoto-kyo.

Infelizmente, o primeiro ano de Morihei em Ayabe foi marcado por mais tragédias pessoais: perdeu seus dois filhos por doença; Takemori faleceu em Agosto, com três anos de idade e, em Setembro, seu segundo filho Kuniharu veio a falecer, com um ano de idade.

Morihei, com a idade de trinta e oito anos, em frente ao seu primeiro dojô. Em 1920, Morihei e sua família mudaram-se para a sede da seita Omoto-kyo em Ayabe (próximo a Kyoto). Lá a Academia Ueshiba foi fundada, com Morihei ensinando Daitô-ryu aiki ju-justu a seguidores da Omoto-kyo.

Morihei (no centro) trabalhando na plantação orgânica do quartel general da Omoto-kyo. Durante toda a sua vida, Morihei sempre teve uma paixão pelo campo. Ele acreditava que havia uma afinidade especial entre budô e agricultura, duas atividades que mantém a vida e invocam uma vida limpa e com pensamentos positivos.

No ano seguinte a mudança de Morihei para Ayabe, os ensinamentos fornecidos na Academia Ueshiba aumentaram gradualmente, tanto em habilidade e alcance como em espiritualidade, e os rumores de que havia um excepcional mestre em artes marciais morando em Ayabe, começaram a surgir. O número de não seguidores da Omoto-kyo ingressando na Academia Ueshiba começou a crescer, e muitos marinheiros da base naval de Maizuru que ficava nas proximidades, começaram a treinar lá.

Em 11 de Fevereiro de 1921, as autoridades repentinamente invadiram a seita, o que ficou conhecido como o Primeiro Incidente Omoto, prendendo várias pessoas, incluindo Onisaburo. Por muita sorte, o incidente não afetou em nada a Academia Ueshiba. Mil novecentos e vinte e um foi também o ano de meu nascimento.

Durante os dois anos seguintes, Morihei tentou ajudar Onisaburo, que havia sido libertado em liberdade condicional, a recomeçar a construir a seita Omoto-kyo. Encabeçou a administração por novecentos tsubo de terra em Tennodaira, na qual trabalhou enquanto continuava ensinando na Academia Ueshiba. Dessa maneira, foi capaz de compreender em seu dia a dia, a existência de uma união essencial entre as artes marciais e a agricultura, algo que estava dentro de seu coração e se tornaria um tema constante em toda sua vida.

Por volta dessa época, a performance de Morihei nas artes marciais começaram gradualmente ter um caráter mais espiritual, na medida em que se envolveu cada vez mais nos estudos do kotodama. Isso o levou pouco a pouco a se libertar das praticas convencionais do Yagyu-ryu e Daito-ryu ju-jutsu, desenvolvendo seu estilo próprio, usando e aplicando os princípios e técnicas em conjunto, para quebrar as barreiras entre mente, espírito e corpo. Em 1922, essa aproximação foi chamado de “aiki-bujutsu”, mais conhecida pelo público em geral como Ueshiba-ryu aiki-bujutsu.

Em 1924, Morihei embarcou em uma aventura para dar a prova crucial de seu desenvolvimento espiritual. No dia 13 de Fevereiro, partiu secretamente de Ayabe com Onisaburo, em direção à Manchúria e Mongólia, numa busca de um local sagrado, onde pudessem estabelecer um novo governo mundial baseado em conduta e princípios religiosos. No dia 15, chegaram Mukden, onde se encontraram com Lu Chang K’uei, um famoso senhor de térreas na Manchúria. Juntamente com Lu, lideraram o Exército Autônomo do Noroeste (também conhecido como o Exercito para a Independência da Mongolia), no interior do país. Nessa época, foi dado a Morihei o nome chinês de Wang Shou Kao. Entretanto, essa expedição foi sabotada; foram vítimas de um complô armado por um outro senhor de terras, chamado Chang Tso Lin, e quando chegaram à Baian Dalai, em 20 de Junho, se encontraram cercados pelo exército Chinês, que esperava para prendê-los. Morihei, Onisaburo e outros quatro foram sentenciados à morte. Afortunadamente, momentos antes da execução, um membro do Consulado do Japão interveio, assegurando sua liberação e retorno seguro e imediato ao Japão.

Morihei retornou à sua vida normal, unindo a prática de artes marciais e trabalho na fazenda, ensinando na Academia Ueshiba e trabalhando na fazenda em Tennodaira. Interessou-se por sojutsu (técnicas com lança) e continuou a praticar intensamente técnicas com espadas e ju-jutsu. Claramente, as coisas já não eram mais as mesmas. A expedição à Manchúria e Mongólia o afetou profundamente, particularmente.

Em 1924, Morihei acompanhou Onisaburo Deguchi na Grande Aventura da Mongólia. Com a esperança de criar um novo “paraíso na Terra” na Mongólia, Onisaburo e seu grupo conseguiram chegar a fronteira da região remota da Mongólia, onde foram aprisionados por um senhor de terras Chinês, que os ameaçou a serem executados. Essa fotografia mostra o grupo com os pés acorrentados, antes de sua libertação pelos membros do Consulado do Japão. Morihei, o terceiro da esquerda para a direita, de pé ao lado de Onisaburo, está aparentemente também acorrentado nos braços.

O fundador numa peregrinação ao local sagrado das Cataratas de Nachi, em Kumano. Morihei foi profundamente afetado após deparar várias vezes com a morte durante sua a Grande Aventura da Mongólia, e ao retornar ao Japão, intensificou sua busca pelo verdadeiro significado do Budô. Freqüentemente se isolava em montanhas, para engajar na disciplina **ascética/asceta**, como se mostra na foto, e com a idade de quarenta e dois anos, Morihei atravessou uma fase de iluminação o que o tornou invencível nas **como artista marcial/artes marciais.**

Por suas experiências encarando a morte sob fogo, onde descobriu que conseguia ver os rastros luminosos dos tiros, descobrindo o caminho de onde vinham. A descoberta deste sentido de intuição foi uma imensa experiência para Morihei que, após retornar ao Japão, freqüentemente se encontrou em situações onde sentiu a mesma manifestação dessa forca espiritual.

Na primavera de 1925, Morihei se encontrou com um oficial naval e mestre de kendô. Aceitou o desafio do oficial e o derrotou sem lutar, conseguindo simplesmente sentir de qual direção os ataques estavam vindo antes que o oficial pudesse tocá-lo com o bastão.

Imediatamente após esse encontro, foi lavar-se num poço próximo, onde sentiu uma serenidade completa em seu corpo e espírito. De repente sentiu que estava banhando-se em uma luz dourada que vinha do céu. Foi uma experiência sem igual para ele, uma revelação onde sentiu-se renascer, transformando seu corpo e mente em ouro. Ao mesmo tempo a união de seu ser com o universo tornou-se clara para ele, compreendendo assim um por um todos os outros princípios filosóficos nos quais o Aikido se baseia. Também foi dessa maneira que entendeu ser melhor dar o nome a sua criação de aiki-budô ao invés de aiki-bujutsu. ( A substituição de do no lugar de jutsu, muda o sentido da arte marcial aiki para o caminho marcial de aiki.) Com maior divulgação, o aiki-budô atraiu um grande número de seguidores ilustres, incluindo o Almirante Isamu Takeshita. No outono de 1925, Morihei foi convidado a visitar o Almirante em Tóquio. Hospedou-se na residência do ex-Primeiro Ministro, Gombei Yamamoto, onde deu uma demonstração de arte marcial para várias autoridades, deixando a todos muito impressionados. Morihei também ensinou artes marciais por vinte e um dias no Palácio da Coroa do Principado.

A convite do Almirante Takeshita, retornou a Tóquio na primavera de 1926. Deu aulas na Côrte Imperial e no Ministério do Funcionalismo Imperial, treinando tanto pessoas da marinha, exército e pessoas que trabalhavam com empresas no mundo das finanças.
A permanência de Morihei em Tóquio foi por demais prolongada, mas no verão daquele mesmo ano, adoeceu-se com uma desordem intestinal e foi forçado a retornar a Ayabe para repousar.

Em Fevereiro de 1927, ao receber novo convite do Almirante Takeshita, sentiu que não teria outra alternativa senão deixar Ayabe pela terceira vez. Com a benção de Onisaburo, mudou-se permanentemente para Tóquio, canalizando todas as suas energias para estabelecer-se como um mestre em artes marciais na capital.

Após dois anos em acomodações temporárias, mudou-se para uma casa próxima ao Templo de Sengaku em Kuruma-chô, onde converteu dois quartos de oito tatamis cada, em um dojô. Seus alunos incluíam Isamu Fujita, Shôyo Matsui e Kaisan Nakazato e também o ator de kabuki Kikugorô Ennosuke VI.

Em 1930, ao conseguir uma casa maior nos subúrbios de Ushigome, Wakamatsu-chô, iniciou a construção de seu novo dojô. Em Outubro de 1930, enquanto os trabalhos estavam começando, instalou um dojô temporário em Mejirodai, onde recebeu a visita de Jigoro Kano, o fundador do judô e chefe do Kodokan. Kano fico impressionado pelas técnicas de Morihei, elogiando-o muito e dizendo, “Esse é meu budô ideal”. Kano enviou mais tarde, dois de seus alunos, Jorô Takeda e Minoru Mochizuki, a fim de serem treinados por Morihei.

Outra visita inesquecível foi em 1930, do Major General Makoto Miura. O General, incrédulo sobre o novo budô criado por Morihei, visitou o novo dojô com o objetivo único de derrotá-lo. Morihei superou completamente a expectativa de Miura, que acabou inscrevendo-se como aluno na mesma hora. Logo em seguida, a pedido do mesmo Major-General, Morihei tornou-se instrutor na Academia Militar de Toyama. Em Abril de 1931, um novo aiki-budô dojô em grande escala com oitenta tatamis, inaugurado como Kobukan, foi terminado em Wakamatsu-chô, no mesmo local onde se localiza o dojô principal nos dias de hoje. Muitos alunos se matricularam, incluindo Hisao Kamata, Hajime Iwata, Kaoru Funabashi, Tsutomu Yugawa e Rinjiro Shirata e, pelos próximos dez anos, o aiki-budô teve sua primeira fase dourada. Ao mesmo tempo, o Kobukan era popularmente conhecido como o “dojô do inferno”, pela intensidade extraordinária de treinos que aconteciam ali.

Os próximos dez anos foram extremamente movimentados para Morihei. Agora já não era instrutor somente do Kobukan, mas em muitos outros dojô abertos em Tóquio e Osaka. O dojô principal era o Otsuka Dojô, em Koishikawa (patrocinado por Seiji Noma, chefe administrativo do Kobukan), o Fujimi-chô Dojô, em Iidabashi e, em Osaka o Sonezaki Dojô, o Suida Dojô e o Chausuyama Dojô. Os ushi-deshi (estudantes que moravam no dojô) mais destacados nesta época eram Shiguemi Yonekawa, Zenzaburo Akazawa, Gozo Shioda e Tetsumi Hoshi. Sob recomendação de um dos seguidores, Kenji Tomita, Chefe da Polícia da Prefeitura de Osaka e mais tarde secretário chefe do gabinete do Governador da Prefeitura de Nagano, Morihei também iniciou cursos nas estações de polícia na área de Osaka.
Ao mesmo tempo, envolveu-se cada vez mais dando aulas no Jornal de Asahi em Osaka, e através do Clube Industrial do Japão, teve muitas oportunidades de ensinar pessoas da área de finanças.

Em 1932, a Associação para Promover as Artes Marciais Japonesas foi fundada, e em 1933 Morihei tornou-se seu presidente. Em Maio de 1933, uma academia de treino com horário integral, chamada dojô Takeda, foi montada na Prefeitura de Hyogo. Dúzias de estudantes se mudaram para lá, colocando em prática o ideal de Morihei, unindo artes marciais com agricultura.
Por volta de 1935, Morihei se tornou muito famoso em todo o mundo das artes marciais. Mais ainda por seu aprendizado e domínio de várias artes marciais Japonesas, virou alvo da atenção pública geral pela notável natureza de sua criação, “a união do espírito, da mente e do corpo” em aiki, previamente chamada de aiki-budô. Durante esse período. Morihei estava praticando kendô incessantemente no Dojô Kobukan e vários dos praticantes de kendô freqüentavam seu dojô, incluindo Kiyoshi Nakakura, que mais tarde se tornaria genro de Morihei.
Em Setembro de 1939, Morihei foi convidado a ir à Manchúria, para participar de uma exibição de artes marciais. Lá enfrentou o ex-lutador de Sumô Tenryu, imobilizando-o com um dedo. Morihei continuou suas visitas à Manchúria mesmo após o início da Guerra do Pacífico, sendo conselheiro em várias instituições, incluindo a Universidade de Kenkoku, com a qual se envolveu imensamente. Sua última visita à Manchúria, foi em 1942, quando participou das comemorações pelo décimo aniversário da fundação de Manchukuo, estado patrocinado pelo Japão, sob convite da Grande Associação de Artes Marciais, dando uma demonstração de artes marciais, contando com a presença do Imperador Pu’Yi.

Em 30 de Abril de 1940, foi concedido ao Kobukan o status de fundação, incorporada ao Ministério da Saúde e Previdência. O primeiro presidente da fundação foi o Almirante Isamu Takeshita. No mesmo ano, a academia policial em que Morihei dava cursos, adotou o aiki-budô como uma disciplina curricular oficial. Com o início da Guerra do Pacífico, um após o outro, os estudantes do dojô de Tóquio foram enviados ao front. Eu era então um estudante no Colégio da Universidade de Waseda, e junto com Kisaburo Ozawae outros estudantes jovens do aikido, foi me dada a responsabilidade de manter o dojô.

Também em 1940, o aiki-budô foi incorporado na Butokukai (um órgão governamental unindo todas as artes marciais em uma só organização). Morihei nomeou Minoru Hirai para representar e dirigir o Kobukan no Setor Aiki do Butokukai. Foi nessa época em que pela primeira vez o nome aikido começou a ser usado.

Em reação a natureza das novas mudanças de última hora, feitas na emergência, reduzindo o Aikido a apenas um setor do Butokukai, Morihei restabeleceu as bases da organização do Aikido na Prefeitura de Ibaragi a fim de preservar o espírito do budô, que havia sido criado para as futuras gerações. Ao me encarregar do dojô de Wakamatsu-chô, Morihei mudou-se para Iwama com sua esposa, vivendo modestamente em um depósito convertido em residência até após o final da guerra.

Em Iwama, Morihei iniciou a construção do que ele chamou ubuya (sala de nascimento), ou local secreto, sagrado do Aikido: um complexo incluindo um relicário Aiki e um dojô ao ar livre. O local sagrado do Aiki, onde existem desenhos **belos/magníficos** entalhados em madeira, foi completado em 1944; o Aiki Dojô, agora conhecido como o Dojô de Ibaragi Anexo do Santuário Aiki, foi completado em 1945, pouco antes do final da guerra.
Quarenta e três deuses são homenageados no Santuário Aiki como deuses guardiões do Aikido. Morihei planejou ele mesmo todas as disposições e limites do Santuário Aiki, seguindo os princípios do kotodama. Por exemplo, o prédio principal, o salão para orações, o torii, e o layout na

Nos estágios iniciais da Segunda Guerra Mundial, os conselhos de Morihei foram muito procurados por líderes militares e primeiro ministros, mas logo os massacres e carnificinas o deixaram emocionalmente e fisicamente doente. Em 1942, Morihei repentinamente desligou-se de todas as suas atividades militares e retirou-se com sua esposa para uma pequena cabana nas florestas de Iwama, Prefeitura de Ibaragi (à esquerda). Ali trabalhou na fazenda, iniciou a construção do Santuário Aiki (à direita). Em 1942, durante o período mais sombrio da história humana, Morihei foi levado a chamar o sistema de sua criação de aikido, “O Caminho da Harmonia e Amor”.

Sua integridade, segue a lei dos três princípios universais, isto é, o triângulo, o círculo e o quadrado, símbolos dos exercícios de respiração, nos estudos do kotodama. “Quando o triângulo, o círculo e o quadrado são unidos em uma rotação esférica, o resultado é um estado de perfeita clareza. Essa é a base do aikido”, explicou Morihei.

Durante o período da guerra, lutei muito para preservar o Dojô Kobukan, apesar de a situação piorar cada vez mais e dos bombardeios constantes em Tóquio, pela Forca Aérea dos Estados Unidos. O dojô escapou ileso, mas após a guerra foi usado como abrigo para mais de trinta famílias de desabrigados, o que impossibilitava a continuação das aulas no local. Por essa razão, o quartel general do aikido foi transferido para Iwama, onde Morihei continuava a viver pacificamente, trabalhando na fazenda e ensinando jovens das áreas vizinhas.

Com o final da guerra, as artes marciais sofreram um declínio por algum tempo, fazendo com que a existência do aikido no futuro, fosse duvidosa. No entanto Morihei tinha muita fé no novo aikido, o que nos fez trabalhar todos juntos para colocá-lo de volta em seu devido lugar no Japão pós guerra. Quando parecia que a confusão prevalecia em conseqüência dos desastres deixados pela guerra, foi decidido mudar novamente o quartel general do aikido para Tóquio. No dia 9 de Fevereiro de 1948, o Ministério da Educação deu permissão para o restabelecimento do Aikikai, com reservas. Durante esse tempo, o dojô principal em Tóquio era chamado o Dojô Ueshiba e Quartel General Mundial do Aikido.

Após o estabelecimento do Aikikai, foi me dada a responsabilidade de consolidar a organização já existente e planejar seu desenvolvimento no futuro. Durante esse tempo, Morihei continuou em Iwama, absorvido na contemplação da prática das artes marciais.

De 1950 em diante, Morihei reiniciou suas viagens pelo Japão em resposta a convites para ensinar, dar cursos e demonstrações. Ao chegar a idade de 70 anos, sua técnica soberba fluía progressivamente de sua imensidão espiritual, em contraste com sua ferocidade e forca física que o caracterizavam em seus anos anteriores. Agora empregava mais a natureza do amor do aikido. (O primeiro caractere “ai”, que quer dizer harmonia, é lido da mesma forma do caractere que quer dizer amor. Em seus últimos anos, Morihei sempre enfatizou a equivalência desses dois significados).

Em 1954, o quartel general do aikido foi mudado para Tóquio, e ao dojô de Tóquio foi dado o título oficial de Fundação Aikikai: o Hombu Dojô do Aikido. Em Setembro de 1956, o Aikikai deu pela primeira vez em público uma demonstração de artes marciais desde o final da guerra, na cobertura da loja de departamentos Takashimaya, em Nihombashi, Tóquio. A apresentação durou cinco dias, causando uma ótima impressão a todos as autoridades estrangeiras presentes.

Morihei foi sempre duramente contra a dar demonstrações em público, mas compreendeu que o Japão entrara em uma nova era e acabou por consentir, a fim de levar o aikido mais adiante.
Com o estabelecimento do aikido e por se tornar popular, o número de estudantes em todo o mundo aumentou rapidamente.

Mesmo no Japão, novos dojô eram abertos por todo o país, e o aikido foi difundido nas universidades, órgãos do governo e companias, anunciando sua segunda era de ouro. Conforme envelhecia, Morihei tornou-se menos ativo na direção do Aikikai, deixando-me encarregado da manutenção e instrução do Hombu Dojô. Mesmo assim, continuava a dar demonstrações, e em Janeiro de 1960, NTV transmitiu “O Mestre do Aikido”, um programa que capturava as técnicas do fundador em filme.

Em 14 de Maio de 1960, uma demonstração de Aikido foi patrocinada pelo Aikikai em Shinjuku, Tóquio. Nessa ocasião, Morihei causou um enorme efeito em todos os espectadores, com uma apresentação chamada de “A Essência do Aikido”.

Mais tarde, no mesmo ano, a Morihei, juntamente com Yosaburo Uno, um décimo dan de kyudo, foi dado o Prêmio Shijuhoshô, pelo Imperador Hirohito. Somente a três pessoas do mundo das artes marciais de todo o mundo, foi concedido esse prêmio antes: ao mestre de judô Kyuzo Mifune e aos mestres de kendô, Kinnosuke Ogawa e Seiji Mochida. No dia 28 de Fevereiro de 1961, Morihei viajou aos Estados Unidos, convidado pelo Aikikai do Hawaii. Durante essa visita, o fundador declarou o seguinte:

Vim ao Hawaii para consolidar uma “ponte prateada”. Até hoje fiquei no Japão, construindo uma “ponte dourada” para unir o Japão, mas de agora em diante meu desejo é construir uma ponte para juntar diferentes países do mundo, através da harmonia e amor contidos no aikido. Penso que o aiki, produto das artes marciais, pode unir a todas as pessoas do mundo em harmonia, no verdadeiro espírito do budô, abraçando a todo o mundo em um amor único e igual.

No dia 7 de agosto de 1962, um grande festival foi celebrado no Santuário Aiki em Iwama, para festejar o sexagésimo aniversário de Morihei como praticante das artes marciais e, em 1964, recebeu um prêmio especial do Imperador Hirohito, em reconhecimento a sua contribuição para as artes marciais.

A cerimônia do início para a construção do novo Hombu Dojô em Tóquio foi festejada em 14 de Marco de 1967. No mesmo dia, Morihei celebrou a primeira cerimônia para a colheita do ano novo em Iwama. Em 25 de Dezembro do mesmo ano, o novo dojô, um prédio moderno com três andares feito com concreto, foi completado. Um dos quartos foi usado pelo fundador como dormitório e local de estudo, e seu quarto é conhecido como o Quarto dos Materiais do Fundador.
Em 12 de Janeiro de 1968, uma cerimônia comemorativa foi dada em honra do final da obra do novo Hombu Dojô, e Morihei falou sobre a importância da essência das técnicas do aikido. Mais tarde nesse ano, Morihei daria a sua última demonstração de aikido, no Kokaido em Hibiya, em homenagem ao término da construção do novo prédio.
No dia 15 de Janeiro de 1969, Morihei participou das comemorações do ano novo no Hombu Dojô. Mesmo parecendo estar com saúde impecável, sua condição física deteriorou-se rapidamente, vindo a falecer pacificamente em 26 de Abril de 1969, às 17:00hs. Uma vigília foi mantida no Hombu Dojô no dia 1º de Maio, começando às 19:10 e no mesmo dia, foi consagrado ao fundador um prêmio póstumo pelo Imperador Hirohito. Suas cinzas foram depositadas no cemitério em Tanabe, no templo da família Ueshiba e mechas do cabelo do fundador foram santificadas no Santuário Aiki em Iwama, no cemitério da família Ueshiba em Ayabe e no Grande Santuário de Kumano.

Kisshômaru Ueshiba foi eleito para suceder seu pai como o Aiki Dôshu, por decisão unânime do Aikikai em 14 de Junho de 1970 cuja atuação importante fez com que o Aikido fosse difundido por todo o mundo. 29 anos depois, em 04 de janeiro de 1999 falece deixando como chefe do Hombu dojo seu filho Moriteru.

Fonte: site do Instituto Takemussu

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