Seminário com Bull Shihan – Aracajú

Em maio de 2013, sediaremos em Aracaju – Sergipe  um  Seminário com Shihan Wagner Bull e em nome de Sensei  Valdenberg,  gostaria de convidá-los a se reunir conosco aqui para um final de semana de Aikido, troca de experiências e  aprendizado.Iniciaremos numa sexta-feira , dia 03 as 19 h e pretendemos encerrar no domingo,  dia 05 por volta das 11 h ou um pouco depois caso os exames fiquem para o final. Seguem anexo cartaz e ficha de inscrição ( .doc e .pdf ). Alunos do Brazil Aikikai devem fazer  inscrição via seu instrutor,  salvo o instrutor oriente que faça direto conosco.Se alguem precisar do cartaz com melhor resoluçao ( qualidade para impressao / publicacao ) , me avise que mando outro arquivo com 5 M de tamanhoO hotel do evento é uma boa opção de hospedagem e para os participantes do evento, conseguimos um desconto ficando os valores das diárias ( valores de maio / 2013 ) em : apto superior : 218,00 ( single ) / 253,00 ( duplo )http://www.atlanticahotels.com.br/atlantica/hoteis/estrutura.asp?Numfuncionalidade=292&NumHotel=45pode também reservar via :http://www.atlanticahotels.com.br/atlantica/bookengine/index.aspQualityHotel Aracaju
Av. Delmiro Gouveia, 100 Shopping RioMar (5579) 2107-4350.flyer1

Um outro hotel simples e interessante que gosto de recomendar é o Hotel  Aguas Marinhas  (http://algasmarinhas.com.br/  ) que tem uma localização privilegiada de frente a praia, cercado de bons restaurantes, bares ( carangueijo !! , siri !! , ostras !!, sururu !! , etc  )  e no meio do “agito / baladas ” de Aracaju porém  a cerca de 7 km do hotel do evento ( o trânsito no percurso normalmente flui muito rápido, cerca de 7 minutos  ).Outros bons hoteis são o Mercury (http://www.mercure.com/pt-br/hotel-7130-mercure-aracaju-del-mar-hotel/index.shtml ) , o Aquarios (http://www.aquarioshotel.com.br/hotelaquarios/interna.wsp?tmp_page=inicial&tmp_secao=1  ), o Celi (http://www.celihotel.com.br/  )e o Radisson (http://www.atlanticahotels.com.br/atlantica/hoteis/estrutura.asp?Numfuncionalidade=292&NumHotel=1036 ) . Todos esses na orla ( praia ) e a cerca de 5 km do evento  (  também sem transito pesado no percurso )Existem também opções de pousadas bem mais em conta e caso alguém prefira ficar em outro hotel / pousada e precise de ajuda ou recomendações , basta me contactar,  mas , por, favor, não deixem para fazer isso na semana do evento pois o risco de não conseguir uma boa vaga é grande pois Aracaju tem , em varias épocas do ano, ficado com os hoteis  lotados.Durante o evento teremos exames de Kyu e Dan. Para agendar um exame de Dan, é necessário antes ter o aval de Shihan Wagner. Para exames de Kyu, basta seguir os tramites normais do Brazil Aikikai e inserir o nome do aluno no evento “Exame”  agendado no site. Observem que no site do Brazil Aikikai temos agendados 2 eventos em Aracaju, um é o seminário e o outro é o exame.Para exames, recolheremos apenas as taxas usuais de exames que constam no site do Brazil Aikikai. Quem tiver alunos para participar dos  exames, favor, com antecedência, providenciar  os documentos de praxe e entrar em contato comigo para que façamos antecipadamente a conferencia se esta tudo ok.Faremos o evento num local bastante agradável , porem com apenas 170 m2 ( 10 x 17 ) então solicito que, dentro do possível,  façam as inscrições de seus alunos com antecedência pois se feitas próximas do evento posso não conseguir a tempo remanejar o evento para um espaço maior e ter que,  infelizmente, limitar o numero de inscritos, não mais aceitando inscrições.Espero podermos reunir aqui o máximo de instrutores da região sob supervisão de Shihan Wagner e fazer um evento muito proveitoso e agradável.

Conto com a colaboração de todos,

abç,

Antonio Mendonça

Aluno de Sensei Valdenberg e sob supervisão de Shihan Wagner Bull

Credo do Samurai

Abaixo está o Credo do Samurai, de autor desconhecido. Dá para ter uma idéia de como esta casta guerreira pensava na Era Tokugawa

Eu não tenho pais, faço do céu e da terra meus pais. img_samurai_01

Eu não tenho casa, faço do mundo minha casa.
Eu não tenho poder divino, faço da honestidade meu poder divino.
Eu não tenho pretensões, faço da minha disciplina minha pretensão.
Eu não tenho poderes mágicos, faço da personalidade meus poderes mágicos.
Eu não tenho vida ou morte, faço das duas uma, tenho vida e morte.

Eu não tenho visão, faço da luz do trovão a minha visão.
Eu não tenho audição, faço da sensibilidade meus ouvidos.
Eu não tenho língua, faço da prontidão minha língua.

Eu não tenho leis, faço da auto-defesa minha lei.
Eu não tenho estratégia, faço do direito de matar e do direito de salvar vidas minha estratégia.
Eu não tenho projetos, faço do apego às oportunidades meus projetos.
Eu não tenho princípios, faço da adaptação a todas as circunstâncias meu princípio.
Eu não tenho táticas, faço da escassez e da abundância minha tática.

Eu não tenho talentos, faço da minha imaginação meus talentos.
Eu não tenho amigos, faço da minha mente minha única amiga.
Eu não tenho inimigos, faço do descuido meu inimigo.
Eu não tenho armadura, faço da benevolência minha armadura.
Eu não tenho castelo, faço do caráter meu castelo.
Eu não tenho espada, faço da perseverança minha espada.

(@Varela_San)

2013

DivulgarUm Feliz e Própero 2013 à todos os amigos do Sangen Dojo. Neste ano de 2013 temos muitas metas à serem alcançadas. Teremos novos caminhos a decidir. Espero que todos os amigos alcancem todas as metas de 2013. Não faço promessas, tento traçar uma meta e cumpri-la. Espero que todos façam o mesmo. Promessa se faz para santos e não para nós mesmos. Vamos entender que nossas metas não tem necessidade de serem divulgadas ou aclamadas, mas é necessário ter serenidade e objetividade para cumpri-las.

Espero que todos os sonhos se tornem realidade. Sonhamos e depois realizamos. Ou seja, o primeiro passo já fizemos (sonhar), agora é realizar.

Um Feliz e Próspero 2013. Que este primeiro dia seja de muita reflexão das realizações do ano passado e que isto ajude a realizar os sonhos deste ano.

(@Varela_San)

Feliz Natal & Próspero 2013

Mais um ano está terminando. Neste ano, tive grandes conquistas. Iniciei um grupo de Aikido na minha região, Campinas, e tive contato com outras artes marciais tradicionais japonesas.

mestre_morihei02Muitas pessoas terminam o ano com a sensação que não fizeram o suficiente para o seu crescimento pessoal. Logo novas promessas serão feitas para o ano que se inicia. Isso é natural, embora acredite que o mais importante é reconhecer nossas conquistas, mesmo que tenham sido poucas, durante o ano. Melhor do que imaginar o que poderíamos ter feito durante o ano, é contemplar nossas alegrias conquistadas durante o ano que está terminando. Isto exige um momento de reflexão. Quando fazemos este momento, podemos perceber onde falhamos nas nossas conquistas, mas também sorrimos quando lembramos das nossas vitórias. Acredito que a vida é assim, momentos tristes e felizes moldam nosso caráter, nosso jeito de ser.

Portanto termino o ano satisfeito com as minhas conquistas. Vou me preparar melhor para os desafios do ano que está começando para que a quantidade de vitórias continuem maiores que os desvios das mesmas. Desejo que todos tenham em mente, que uma bela flor tem muitos espinhos, portanto cuidado para não machucar seu dedo em um momento de contemplação. Aprecie a beleza com respeito e benevolência. Combata o orgulho e a arrogância.

Desejo à todos um Feliz Natal e próspero Ano Novo. Que todos os amigos tenham tido mais vitórias do que desencontros no seu caminho. E que o caminho de 2013 seja de muita luz e alegria.

(@Varela_San)

Harmonia no Aikido

Um dos objetivos do Aikido é criar harmonia entre os participantes. Porém muitas pessoas confundem o que exatamente significa esta harmonia para o Aikido. Primeiramente, precisamos quebrar um paradigma importante. Harmonia não significa simplesmente um estado de contemplação de uma situação suave, leve e delicada. Harmonizar com uma situação é você conseguir ficar no mesmo “clima” que está a sua volta. Uma flor é vencida por uma tempestade.

Quando treinamos Aikido, não podemos esquecer que estamos de fato praticando uma arte marcial. Quando falamos de harmonia no Aikido, queremos dizer que devemos inicialmente nos adequar a intensidade do nosso “agressor” (uke). Assim como a flor será vencida pela tempestade, você será vencido se não colocar seu “espirito” de acordo com a força que o seu parceiro irá usar no momento do ataque.

É uma grande bobagem achar que você poderá “domar” uma tempestade com o sentimento de uma flor. Para você harmonizar com o ataque do uke, primeiro você deve igualar o sentimento deste ataque. Depois que você igualar a energia que foi usada pelo uke, ai sim, você poderá harmonizar o movimento. E esta harmonização, por depender da intensidade do ataque, não será necessariamente delicada.

Enfim, não vamos esquecer que estamos praticando uma arte marcial e não movimentos terapêuticos. A harmonia está no fato de você conseguir igualar sua energia com a do seu “oponente”. É isto que vejo como harmonia no Aikido.

(@Varela_San)

Características do Aikido

O que é o Ki?

O Aikido é um Budo moderno criado por Morihei Ueshiba, baseado em seu treinamento intensivo em vários sistemas de artes marciais tradicionais japonesas. Como está implícito em seu próprio nome, AI-KI-DO, ele está centrado no princípio do ki.

O termo ki é utilizado de várias maneiras: em palavras como kuki (“ar”), taiki (“atmosfera”) e joki (“vapor”), ele representa um fenômeno que não pode ser visto a olho nu. Temos também palavras como satsuki (“sanguinário”), reiki (“espiritual”), seiki (“vitalidade”), kakki (“vigor”) e haki (“ambição”) que descrevem estados ativos fora do domínio físico e concreto. Também no pensamento chinês, a teoria do ki (ch’i) tem um papel central – Enami ensinava que: “O ki é a plenitude da exitência”. Voltando um pouco mais no tempo, na antiga filosofia hindu, o ki é chamado de prana, a matéria-prima da vida do Universo, que também anima nossa existência individual.

Resumindo, o ki é a energia vital que permeia a existência de tudo e de todos, e é a fonte de toda energia.

A União entre Ki, Mente e Corpo

O Fundador Morihei Ueshiba, que pesquisou profundamente o conceito do aiki (a harmonização do ki), explicava o ki assim: “O Ki é a energia vital do Universo e seu sutil funcionamento estimula os cinco sentidos. Empregue essa força com união do corpo e da mente, e você poderá mover-se tão livremente quanto desejar”.

Como podemos utilizar o funcionamento sutil do ki? Antes de tudo temos de aprender a usar o poder de nossa respiração (kokyu-ryoku). No Aikido, o ki é efetivamente utilizado através do poder da respiração. Como mencionamos anteriormente, o termo prana, da filosofia hindu, significa “respiração”. Foi a compreensão desta verdade eterna – a natureza da respiração do Universo –  que levou o Fundador Morihei à iluminação.

O Fundador percebeu que era necessário unir mente, o corpo e o ki. A partir dessa integração individual, a pessoa precisa se conectar com o Universo como um todo e manifestar o poder imenso da energia vital. Definitivamente, esta hamonização – entre ki, mente e corpo – resultará na verdadeira iluminação. Esse é o propósito do Aikido.

Evite o conflito, não lute

Com o ki, a mente e o corpo unificados, o Universo se apresenta em verdadeira forma, e qualquer coisa que aja contra seus princípios naturais é imediatamente detectada; neste nosso mundo não há maneiras de ir contra as verdades do Universo. Com essa atitude e em harmonia com o Universo, não há como perder. Esse é um estado invencível de existência, alcançado por meio da vitória sem luta.

O princípio de vencer sem lutar libera o Aikido das pressões impostas por disputas e competições. Por princípio, o Aikido não está preocupado com vitória ou a derrota, ou com a glória ou a decepção da competição. O Aikido não é um esporte, composto de vencedores e perdedores; ele é um Budo que serve para forjar o corpo e a mente, um caminho puro.

Extraído do livro “Aikido – Evolução passo a passo” de Moriteru Ueshiba Doshu

tradução Wagner Bull Shihan

Gratidão

Nestes anos que estou no caminho, presenciei muitas atitudes esquisitas dentro do Aikido. Já vi atitudes hostis, desconfiadas, temerárias, insolentes e até desrespeitosas. Mas a que mais me causa impacto é a ingratidão. Eu mesmo já fui ingrato com pessoas que estavam me ajudando pelo caminho, passei um bom tempo convivendo com algo amargo no coração, e depois de um longo tempo consegui entender o tamanho do erro que havia cometido. O engraçado é que o maior estrago foi feito para mim, e não para quem eu fui ingrato. Acho que isso é a beleza que a vida nos reserva, quando temos a atitude de analisar os fatos sob um novo prisma, acabamos vendo com mais facilidades os nossos próprios erros e descobrimos que os maiores prejudicados pelos nossos erros de conceito, somos nós mesmos.

Recentemente, eu ajudei um grupo a encontrar um local para praticar Aikido. Fui pessoalmente ao local, e fui eu que tratei de todos os tramites neste tipo de negociação, tais como: o preço do aluguel do espaço, os dias que o grupo teriam para treinar, itens do contrato, dia do pagamento do aluguel, enfim todos os tramites foram negociados por mim. Inclusive meu nome consta no contrato de locação deste espaço. Porém, passado algum tempo acabei saindo deste grupo, e voltei para minha antiga escola. É impressionante como as pessoas desse grupo que ajudei, simplesmente se esqueceram da minha ajuda. Nem sequer um email de obrigado recebi, e sempre que poderiam expressar qualquer tipo de sentimento de gratidão, ignoram.

Depois que vivi este momento, acabei entendendo ainda mais o sentimento que causei nas pessoas quando tive um comportamento parecido com este, até certo ponto, bem inferior a este grau de comprometimento, mas o que de fato importa é a ingratidão em si. Os sentimentos que sinto por esta ingratidão, se misturam entre o inconformismo e a perplexidade. Hoje eu sei (ou penso que sei), que a gratidão é uma das maiores dadivas do ser humano. Quando se é grato, temos uma vida mais feliz, pois temos consciência que o mundo a nossa volta também conspira a nosso favor e não que estão todos contra nós. Quando somos gratos, tornamos o mundo mais feliz.

Quanto aos meus “amigos” que ajudei e que não souberam dizer “obrigado”, espero de todo coração que vivam felizes e que um dia encontrem sentido naquilo que estão “discursando”. Que a prática supere o discurso, que quando pregarem gratidão, saibam de fato do que estão falando.

Domo arigatô!

(@Varela_San)

Shiho Nague

Shiho Nague é uma técnica onde os movimentos do corpo se tornam similares quando se usa uma espada e se corta em todas as direções. Apesar do termo Shi (quatro), a idéia é que através do Shiho Nague, pode-se jogar o parceiro para qualquer lugar que se deseja, desequilibrando-o em todas as direções. Deriva-se do conceito de “Shiho Giri“, ou seja, cortar o mal a nossa volta nos quatro quadrantes.

Assim, ao praticar as técnicas deve-se imaginar que se está portando a espada e ao executar os movimentos de levantar a espada, girá-la como um Tsuki, cortar para baixo. O corpo do Nague deve movimentar-se como um todo, e não usar a força do braços e ombros apenas, mas sim o Kokyu Ryoku. Na opinião do autor, em Shiho Nague, pode-se facilmente sentir a relação do Aikido com a espada e treinar perfeitamente a ação de levantar e cortar, usando-se o Kokyu Ryoku. Em termos espirituais, Shiho Nague, sendo o primeiro pilar das técnicas do Aikido, significa quatro direções, simbolizando respeito aos Kamis, e ao Universo, a nossos ancestrais, a natureza e aos outros seres humanos que nos ajudam a sobreviver e realizar em sociedade.

Texto extraído do livro Aikido – O Caminho da Sabedoria – A Técnica do Shihan Wagner Bull

Ukemis

Quando entra um novo aluno no dojo, é comum que ele queira começar fazer grandes técnicas. De preferência aquelas “mágicas”. Mas muitos ficam decepcionados, quando a primeira coisa que fazem é aprender a cair. Como assim aprender a cair? viemos aqui para aprender nos defender, e não para sermos derrotados! Alguns nem voltam para a segunda aula. Confesso que fico satisfeito quando esses alunos não voltam, pois entendo que não vieram aprender com o coração puro, mas já antevendo o que poderiam fazer de mal para outras pessoas, e por isso não aceitam ter que aprender a simplesmente cair. Claro que muitos procuram uma arte marcial com o objetivo de aprender uma defesa pessoal, mas quando vejo que um aluno sequer quer aprender a cair, vejo que ele não quer compartilhar com o dojo as suas experiências, quer apenas absorver conhecimento sem dar nada em troca.

Uma coisa que precisamos entender, é que cair não é um sinal de derrota, mas de renovação. Caímos para nos levantar novamente, e a cada vez que nos levantamos buscamos aprender cada vez mais. Quando aprendemos a cair, percebemos que a queda não vai nos causar grandes danos. Mas quando temos a arrogância de nos acharmos invencíveis, a queda será amarga, dolorosa e de grande impacto. Entendam estas palavras não apenas no sentido de se fazer uma simples queda no tatame, mas tente levar esta idéia para as quedas que a vida nos reserva. Aquele momento ruim que vivemos, aquele ato que falhamos, enfim tente observar todos os momentos ruins que já passou e que de algum modo significou uma queda na sua vida. Vamos ver que o problema maior não foi a queda, mas a forma que nos levantamos. Nos levantar com dignidade é uma das tarefas mais árduas quando se tem um orgulho muito elevado. Portanto treinar uma queda é o menor dos nossos problemas.

Como descrevi acima, aprender a cair é a primeira coisa que ensinamos para os novos alunos. Começamos a ensinar como cair para trás e depois como cair para frente. Claro que ensinamos as quedas mais simples, nada muito sofisticado, sem grandes saltos. Isso o aluno vai aprendendo na medida que for treinando. É fundamental que inicialmente ele aprenda a não se machucar quando cair. Nos meus treinos, eu tomo a liberdade de iniciar o treino para trás da maneira mais fácil possível, deixando o aluno sentado no tatame, mostro que para cair para trás é necessário colocar o queixo próximo do peito, e digo que é necessário bater as palmas da mão antes do tronco encostar no tatame, para que assim o impacto seja amenizado. E assim o aluno começa a se jogar para trás (com o quadril sentado no tatame). Desda forma vamos dando uma inteligência corporal para o aluno. Quando digo inteligência corporal, é para que o corpo do aluno, se acostume em fazer este movimento. Ele precisa fazer este movimento sem pensar na mecânica do movimento, pois em uma queda real, ele não poderá ficar pensando nas posições de queixo, mãos, pernas e etc. O corpo tem que se posicionar de maneira automática para a queda. Quando percebo que o aluno já está caindo sem medo para trás (isso demora em geral 2 aulas), mostro que ele deverá então ficar agachado sentado em um dos calcanhares. Aumento a altura que ele vai começar a cair. Antes ele estava com o quadril no tatame, agora ele estará agachado, sentado em um dos calcanhares e então irá cair para trás. Desta forma vou aumentando a confiança do aluno na queda. Ele passa a acreditar que com aquela queda ele vai evitar se machucar. Quando percebo que o aluno já está confiante (em geral depois de 2 aulas), ai vamos para as quedas partindo da posição de pé. Inicialmente fazemos as quedas sem rolamento, apenas para o aluno aprender a cair partindo de uma posição em pé. É o famoso Ushiro Ukemi.

No Ushiro Ukemi o aluno começa da posição em pé e vai caindo para trás. Para isso ele recua uma das pernas e faz o movimento como se fosse sentar no calcanhar da perna que foi recuada, porém antes de sentar nesse calcanhar, ele projeta seu corpo para trás. Ao chegar no chão ele aproveita a energia que usou para cair, faz um pêndulo e levanta o corpo novamente. Quando o aluno começa a ganhar mais confiança, mostramos uma pequena variação desta queda, mas que particularmente aprecio muito, o Ushiro Kaiten Ukemi.

A diferença básica é que no Ushiro Kaiten Ukemi o aluno deverá aproveitar toda energia durante a queda para fazer um rolamento para trás e terminando em pé. Claro que para esta queda é necessário ter um espaço maior para se deslocar, mas mostra toda a essência daquilo que descrevi acima. Usar a energia da queda para se levantar novamente. Paralelamente ao ensino da queda para trás, também iniciamos o treino para queda para frente. Esta queda é a mais trabalhosa para se aprender. O motivo é interessante. Para trás o aluno não vê o tatame no momento da queda, mas para frente ele o vê. É incrível como esta visão bloqueia o corpo. Instintivamente o cérebro manda algum tipo de mensagem para o corpo travar e evitar a queda a qualquer custo. Por isso treinamos, para que o cérebro aprenda que não é preciso travar o corpo para evitar a queda, mas aprender a cair sem se machucar. Assim como na queda para trás, inicio o treino de queda para frente, colocando o aluno sentado no tatame. Peço que ele estique um braço e incline a cabeça para o lado oposto do braço esticado. Depois ele apoia o ombro do braço esticado no tatame e projeta o corpo para frente com a ajuda das pernas. Com isso, ele começa a “rolar” para frente, sem o risco de bater o ombro no tatame. Considero o risco de bater o ombro o mais crítico, pois por ser muito dolorida a recuperação pode aumentar o medo para esta queda. Depois que percebo que o aluno começou a rolar para frente sem receios (em geral 5 aulas), peço que ele comece a rolar mas agachado. O braço que antes estava esticado deverá passar por debaixo do seu corpo formando um arco, para que desta forma o rolamento se inicie pelo braço passando pelo ombro e chegando até as costas e assim completando o movimento. Quando percebo que o aluno consegue fazer este movimento com confiança e sem risco, ai passamos para a queda propriamente dita, o Mae Ukemi.

No desenho acima, o movimento ocorre da direita para a esquerda. Observamos que assim como o Ushiro Kaiten Ukemi, vamos aproveitar a energia da queda para nos levantarmos depois do rolamento. Claro que com o tempo de treinamento vamos aprender variações de quedas, que serão usadas em algumas técnicas aplicadas com maior eficiência, mas isso vai ocorrer com o tempo. É o tempo que nos ajuda a entender o que erramos na vida, nada mais justo deixar que o tempo nos ensine a melhor forma de cairmos e nos levantarmos no tatame e consequentemente na vida.

(@Varela_San)

ilustrações retiradas do livro Aikido – O Caminho da Sabedoria – A Técnica do Shihan Wagner Bull